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Salvador

Publicada em 17/10/18 às 10:15h - 36 visualizações
No ritmo do Enem: professores usam música na preparação dos alunos
No ritmo do Enem: professores usam música na preparação dos alunos Estudantes assimilam conteúdos através de músicas inéditas, paródias e clássicos da MPB

Jornal Correio


 (Foto: Jornal Correio)

No ritmo do Enem: professores usam música na preparação dos alunos

Estudantes assimilam conteúdos através de músicas inéditas, paródias e clássicos da MPB

Há 15 anos, o professor de Matemática Toni Santana estava dando aula em um cursinho noturno e percebeu que os estudantes tinham dificuldade para memorizar algumas fórmulas. Ele voltou para casa pensando no que poderia fazer para ajudar os alunos e teve a ideia de usar a música como ferramenta de trabalho.

“Criei uma letra com o conteúdo que demos na sala de aula e levei para eles na semana seguinte. Foi um sucesso. Eles memorizaram as fórmulas com mais facilidade e a música acabou aproximando mais os estudantes da disciplina. Desde então, adotei esse recurso e já fiz música com os mais variados assuntos”, disse ele.

A ideia deu tão certo que o professor, que leciona nos Colégios Antônio Vieira e São Paulo, convidou um colega, de Química, para criar mais melodias. Juntos, os dois lançaram um CD há 10 anos. As músicas estão disponíveis no Spotify e no iTunes, no álbum Chequimat, e tratam de temas como algoritmo, trigonometria, função de 2º grau e sequências.

O professor Toni cria letras de músicas com os assuntos das provas há 15 anos (Foto: Almiro Lopes/ CORREIO)

“Não dá para fazer música com todo tipo de assunto, alguns são bem complicados, mas quando a inspiração vem a gente cria. Teve uma aluna que contou que esqueceu da fórmula na hora da prova, mas que começou a cantarolar a música e lembrou. É por isso que eu continuo com esse trabalho”, explica Toni.

Faltando menos de um mês para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), os professores frisaram que quem canta seus males espanta e aconselharam os estudantes a usarem a música para diminuir o estresse e como ferramenta de aprendizado, seja através de letras conhecidas, melodias autorais ou adaptações.

Autoestima
Segundo os mestres, há momentos que casam com canções e desse casamento sobrevivem muitas profissões. Eles garantem que a licenciatura é uma delas e que uma estratégia muito adotada são as paródias, que adaptam para o universo dos estudantes desde clássicos da MPB até outras melodias nem tão famosas assim.

Tudo pode servir de inspiração para as mentes criativas. O professor Ricardo Faria, conhecido como Ricardinho, leciona Biologia para estudantes do 3º ano do Colégio Antônio Vieira e contou que descobriu o poder da música quando ele era estudante do ensino médio.

O professor Ricardo descobriu o poder da música quando era aluno do ensino médio (Foto: Almiro Lopes)

“Tive alguns professores, poucos, que usavam a música como recurso em sala de aula e percebi como isso facilitava meu processo de aprendizado. Quando me tornei professor, resolvi fazer o mesmo. A música é boa para a memorização, a interação e a autoestima dos estudantes, principalmente nessa reta final do Enem”, afirmou.

Balão Mágico
O professor frisou que as melodias não substituem as aulas e que, geralmente, são apresentadas aos alunos depois do conteúdo ser explicado e debatido, como uma revisão. O famoso Superfantástico, do grupo infantil Balão Mágico, é uma das mais conhecidas adaptações do docente.

“Não sou dos professores mais criativos, mas podemos falar de biologia molecular, sistema circulatório ou citologia, por exemplo, através da música. Ela torna a aula mais interativa”, disse.

Os candidatos sabem que, sem estudar os assuntos, não tem ‘Dó ré mi’ que dê jeito na hora da prova, mas admitem que as canções ajudam a memorizar fórmulas na área de Exatas e provocam a reflexão dos conteúdos de Humanas. Mais do que subir o tom,  esperam que as melodias sejam a deixa para aumentar as notas.

Quando a estudante do ensino médio Catharina Moraes, 17 anos, estava no 5º ano, sofreu para compreender os detalhes sobre o universo dos protozoários na aula de Ciências, até o dia em que a professora levou para a sala de aula uma música sobre o tema.

“Consegui entender o assunto de forma mais clara. Outro dia, fomos fazer uma prova e estava a turma toda cantando, fora da sala, a música que o professor ensinou, para não esquecer o assunto. A rotina do ensino médio é muito cansativa, e a música, além de descontrair e deixar a aula mais leve, ajuda na hora de memorizar os conteúdos”, afirmou.

A estudante ainda não definiu a carreira que quer seguir, mas disse que está inclinada a disputar uma das vagas de Medicina e que tem maior dificuldade com a disciplina de Matemática, por isso, ela usa músicas e paródias indicadas por seus professores para memorizar os assuntos.

Também pensando no conteúdo das provas, o professor e historiador do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) Jaime Nascimento conta que a música pode ser o retrato de uma época e que, se os candidatos ao Enem se debruçarem sobre as obras de artistas como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque e Geraldo Vandré, terão um material rico de conhecimento para analisar.

“A ditadura Vargas perseguia políticos, mas não se importava com os artistas. Já a ditadura dos anos 1960 e 1970 censurava a arte, por isso, os artistas precisavam dizer sem que os censores percebessem o que estava sendo dito. Falava-se muito por alegorias, como flores (sem querer usar o sentido literal), por exemplo”, explicou.

Ele também citou o grupo vocal Secos e Molhados que cantava a Segunda Guerra Mundial em Rosa de Hiroshima, Raul Seixa e a crítica social em Ouro de Tolo, e Legião Urbana e a conquista do Novo Mundo em Índios. O professor destacou também o enredo das escolas de samba como sendo aulas musicadas de história.  

“A música Tradição, de Gilberto Gil, é uma viagem urbana por Salvador. Quando ele diz que ‘no tempo que Lessa era goleiro do Bahia/ um goleiro/ uma garantia’ está dizendo que Lessa já era importante naquela época. História do esporte. Ou quando diz que ‘no tempo que preto não entrava no Bahiano/ nem pela porta da cozinha’, está denunciando como funcionavam as coisas na década de 1950”, afirmou o historiador.

O baiano Edson Gomes foi outro destaque do professor, com suas músicas de crítica social.

Enquanto isso, os estudantes continuam “caminhando e cantando, e seguindo a canção”, como compôs Geraldo Vandré, na esperança de que as músicas deem a nota que eles tanto querem ouvir: a aprovação no Enem.







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