Domingo, 17 de Junho de 2018

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Política

Publicada em 04/01/13 - 21 visualizações
Após 15 dias, Porto de Salvador começa a receber caminhões
Paralisação dos caminhoneiros começou primeiro aqui; depois, se juntou à nacional

por correio da bahia


Após 15 dias, Porto de Salvador começa a receber caminhões

Paralisação dos caminhoneiros começou primeiro aqui; depois, se juntou à nacional

Movimento no Porto começou a se normalizar nesta terça (Foto: Marina Silva/CORREIO)

No meio da tarde, veio a notícia que trouxe novo fôlego às exportações e importações do estado. Depois de duas semanas sem receber cargas, o Porto de Salvador, no Comércio, voltou a receber caminhões nesta terça-feira (29). Logo de manhã, alguns contêineres vazios foram retirados por empresas, e, após às 14h, entraram os primeiros contêineres carregados. 

"Agora, está funcionando quase que normalmente", adiantou, ao CORREIO, o diretor-executivo da Associação dos Usuários dos Portos da Bahia (Usuport), Paulo Villa.

Enquanto a rotina das cidades só começou a ser afetada pela greve de caminhoneiros na semana passada, o Porto de Salvador sofria há quase 15 dias: nada chegava por terra e o que vinha pelo mar não conseguia sair de lá. 

De lá para cá, o porto praticamente parou. Os prejuízos alcançaram cifras milionárias e uma palavra passou a fazer parte do vocabulário de todas as empresas procuradas: preocupação. Por dia, entre 500 e 700 contêineres com todo tipo de mercadoria têm deixado de circular no Porto de Salvador, de acordo com Villa.

A informação sobre a volta do Porto de Salvador foi confirmada ao CORREIO pelo diretor-presidente da Companhia das Docas do Estado (Codeba), Rondon Brandão do Vale.

"Acabo de receber a notícia de que tem 32 agendamentos de retirada de contêineres agora à tarde pelo Tecon (Terminal de Contêineres de Salvador). Estão começando a utilizar os gates da empresa", completou. 

Segundo ele, o Tecon estimou um prejuízo diário de R$ 500 mil a R$ 600 mil, durante os dias em que o porto esteve sem receber caminhões. Ao fim de duas semanas, seriam, portanto, pelo menos R$ 7,5 milhões. Procurado pelo CORREIO, porém, o Tecon informou que não iria se posicionar sobre assuntos relacionados à paralisação dos caminhoneiros. 

Enquanto o Porto de Salvador caminha para voltar à normalidade, o mesmo não se pode dizer dos terminais portuários de Ilhéus e de Aratu. Segundo a Usuport, US$ 39 milhões têm deixado de ser embarcados para o exterior diariamente nos portos da Bahia. Até a arrecadação da Codeba diminuiu - nesse período, o prejuízo com as tarifas foi de R$ 2,2 milhões. 

Começou antes
No caso de Salvador, a parada dos caminhoneiros começou há duas semanas, porque eles queriam um reajuste no valor do frete. Paulo Villa explica que, segundo os caminhoneiros, o frete muito baixo não permitia que eles continuassem operando. Só que eles conseguiram um reajuste. 

O aumento no valor do frete veio com os índices inflacionários de 2015 até 2018, além de um ganho real. No final, os caminhoneiros tiveram um aumento de 23%, de acordo com o diretor comercial da Martins Medeiros, Murilo Mello. Especializada em logística para o comércio exterior, a Martins Medeiros era uma das empresas afetadas pela situação no Porto de Salvador e que oferece serviços como o de transporte rodoviário. 

Manifestantes nos primeiros dias de paralisação no Porto de Salvador (Foto: Divulgação)

Conceder o reajuste já foi difícil - as empresas tiveram que apertar as calças ainda mais. Fora isso, precisam convencer os clientes a aceitar o aumento também no valor que pagam. Mesmo assim, fecharam o acordo. "Quando fechamos, veio a greve nacional e não voltou. Deixamos de movimentar uns nove mil contêineres, entre importação e exportação", afirma Mello. 

Prejuízo milionário
A paralisação começou no dia 14 deste mês. Naquele dia, a carga enviada pela empresa BSC/Copener teve problemas para chegar ao porto. No dia seguinte, mais nada passava. E, até ontem, nem sequer um quilo da celulose solúvel produzida pela empresa conseguiu cruzar os oceanos: de lá para cá, o porto se tornou inacessível. 

"No dia 14, começaram as movimentações de bloqueio pelos caminhoneiros avulsos, mas, na porta do Porto, que é onde conseguem atingir mais empresas, foi a partir do dia 15", lembra a gerente de logística da BSC, Fernanda Fernandes, ilustrando uma realidade que não era só da BSC.

A estimativa total de prejuízos ainda é uma incógnita, de tão complexa que é a cadeia produtiva. Mesmo assim, cada empresa já vislumbra o próprio cenário negativo. Na BSC, 15 dias sem atividade já acarretam em um prejuízo de mais de R$ 20 milhões. 

Diariamente, a empresa entregava entre 1,5 mil toneladas e 2 mil toneladas no Porto de Salvador. De lá, essa celulose solúvel - que vai servir para indústrias como a farmacêutica, cosmética e alimentícia - deve ser enviada principalmente a países como China e Estados Unidos, além de México e alguns da Europa. 

"Esses R$ 20 milhões são só de faturamento que deixamos de ter, fora a falta de abastecimento da planta e a redução de produção. Temos também prejuízos de embarque que atrasamos para clientes. Corremos o risco de abrir a porta para a concorrência - ou seja, para outro país. É um risco para o Brasil como um todo", explica Fernanda. 

Depois que a situação for completamente controlada, não vai ser tão simples para que as entregas voltem ao normal. Como há muita carga de importação lá, acumulada, sem sair do lugar, o prazo dado às empresas é de que vai levar entre 48 e 72 horas para voltar a receber carga de exportação. 

"E vai ter a corrida do ouro por caminhão. Tem muita gente com carga acumulada, então, serão pelo menos duas semanas para normalizar a situação de envios". Segundo Fernanda, Salvador ainda tem uma restrição de espaço em navios por ser, normalmente, o último ponto em que as embarcações param antes de sair do Brasil. 

O espaço contratado em navios é semanal. Assim, mesmo que nada seja embarcado em uma semana, na semana seguinte, o espaço disponível não será o dobro. "Sem contar que os navios vêm de (do Porto de) Santos e, com certeza, vão vir muito cheios e com restrição de espaço para Salvador. A gente não tem uma perspectiva do fim. A situação está crítica", aponta Fernanda. Só a BSC gera 1,5 mil empregos diretos. 

Metas e faturamento
A Morais de Castro, que importa insumos para a indústria e distribui produtos químicos que são insumos de outras empresas, também passa por uma situação delicada. Ao CORREIO, o sócio e diretor Eduardo Morais de Castro revelou que já há uma queda prevista de 20% do faturamento somente nessas duas semanas. A meta mensal também não vai ser atingida devido às paralisações. 

"Isso é um grande problema porque você vê que não é uma reivindicação de uma classe, mas de um gesto político partidário. Mas isso aí vai contribuir para diminuir nossas importações, nossa presença de mercado, tudo de negativo", pondera. Além de não conseguir retirar as importações do Porto, a Morais não estava conseguindo distribuir seus próprios produtos. "Ninguém compensa essa perda". 

A empresa Clia, que oferece logística de transportes e armazenagem, tinha 459 contêineres parados no Porto de Salvador. Segundo o gerente de logística da empresa, Bruno Ribeiro, era impossível removê-los devido à greve. Em condições normais, eles teriam um prazo legal para retirar em até 48 horas. 

"A gente vinha pleiteando, junto à Receita Federal, a remoção dos contêineres sem que houvesse a cobrança do Tecon, que é o operador, porque eles estavam cobrando armazenagem. Hoje, a Receita determinou que as remoções ocorram sem essa cobrança", conta. 

Os prejuízos da empresa envolvem desde os próprios contêineres que não estavam disponíveis para comercialização, atraso no processo de desembarcação e custo direto de demurrage (multa que é aplicada pelo armador ao cliente que está utilizando um contêiner por atraso na devolução).

"Existe um prazo para devolver o contêiner vazio, que é de sete dias. Esses prazos já se passaram e a multa é de mais de US$ 100 por dia (por contêiner". Há, ainda, a taxa de remoção cobrada - aproximadamente R$ 2 mil por contêiner. 

Infiltrados 
Na Martins Medeiros, o prejuízo chega a R$ 2 milhões. Fora o desgaste - só nesta terça-feira, pneus de um caminhão que a empresa encaminhou para o porto foram furados. De acordo com o consultor da Martins Medeiros Fábio Souza, o que se escuta nos bastidores é que "outras pessoas" não têm deixado os caminhoneiros voltarem ao trabalho. 

"O caminhão saiu da empresa e furaram os pneus na região de Valéria. Hoje, furaram os pneus de um que veio carregar aqui e ameaçaram o motorista. Ele teve que ligar o carro e ligar para o patrão para ver o que fazia. Por isso que eles (os caminhoneiros) estão com medo de rodar: porque tem outros envolvidos que estão fazendo ameaças", denuncia. 

Na tarde desta terça, a Martins Medeiros encaminhou dois caminhões para o porto. Estavam 'arriscando', nas palavras do próprio Fábio. "Estamos correndo o risco de quebrar um caminhão, de depredar. E sabemos que não é o pessoal local, mas o prejuízo é grande". 

Por isso, há praticamente um consenso entre os diferentes setores econômicos que convivem diariamente com transportes e com o Porto de Salvador no estado. Todos apontam que não existe mais nenhum impedimento - do ponto de vista financeiro - para que os caminhoneiros voltem a fazer os transportes. 

"O que existe hoje são piquetes de pessoas que, pelo que a gente está vendo, são estranhas ao movimento de caminhoneiros. Pessoas que estão se aproveitando dessa situação e prejudicando toda a economia, a população e tudo mais. Essa é a nossa visão, porque já não existe nenhum motivo", afirma Paulo Villa, da Usuport. 

O problema é que, aparentemente, não há ninguém investigando esses possíveis atentados aos caminhoneiros no estado. Procurada pelo CORREIO, a comunicação da Polícia Federal (PF) informou que não recebeu nenhuma demanda e que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) é quem tem atuado as ações sobre a greve dos caminhoneiros. 

Por sua vez, a PRF informou que não pode investigar - pode atuar se houver, por exemplo, uma denúncia. Segundo a PRF, esse seria o papel da PF. 

A reportagem também procurou a Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP-BA), que informou que esse tipo de investigação fica a cargo da PF. 




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