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Publicada em 12/06/18 às 12:39h - 15 visualizações
A lista de sangue: entenda a cronologia e conheça as 30 vítimas da violência no fim de semana
O final de semana de 9 e 10 de junho bateu recorde com o maior número de assassinatos do ano

por: Correio da Bahia


 (Foto: Correio da Bahia)
(A manhã de segunda-feira (11) foi movimentada no IMLNR (Foto: Evandro Veiga/CORREIO))

A lista de sangue: entenda a cronologia e conheça as 30 vítimas da violência no fim de semana

O final de semana de 9 e 10 de junho bateu recorde com o maior número de assassinatos do ano

Jean Carlos tinha apenas 16 anos. Samuel estava saindo de uma mercearia. Genilson tinha ido a um forró. Eliomar era pai de uma garotinha de dois anos. Evandro estava com a namorada. Gonzaga, o cabo da PM, só queria voltar para casa. A lista continua - e, com ela, cresce a quantidade de histórias interrompidas. 

A lista sangrenta segue com nomes de 30 pessoas: todos homens, quase todos moradores de bairros periféricos de Salvador e da Região Metropolitana (RMS). A maioria era jovem; tinha idades entre 15 e 29 anos. E, como outros tantos que amargam as estatísticas da violência nos últimos anos, ficaram pelo caminho. Todos morreram entre sábado e domingo - o fim de semana que se tornou o mais violento do ano. 

Entre uma morte e outra, o intervalo foi apenas de uma hora e 36 minutos. Isso mesmo: praticamente a duração de uma viagem de carro entre Salvador e Feira de Santana e metade do tempo necessário para assistir ao filme Titanic. 

Só para dar uma ideia, houve um aumento de 50% em relação ao fim de semana que, até então, tinha o maior número de mortes - os dias 5 e 6 de maio, com 20 homicídios. No entanto, a média de 2018 tem sido bem menor: 12 assassinatos por fim de semana. Por isso, para a Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP-BA), foi um fim de semana 'atípico'. 

Logo no início da manhã de segunda-feira (11), a SSP divulgou uma nota. Era uma explicação para a matança dos dois dias anteriores. Segundo o órgão, 11 das vítimas tinham passagens pela polícia. Em outras 10 situações, as mortes foram por envolvimento com o tráfico de drogas, e, além disso, outros homicídios teriam sido causados pelo uso excessivo de bebidas alcoólicas, "gerando discussões por motivos fúteis e posteriores brigas". 

Mesmo após o CORREIO ter pedido a justificativa ou as circunstâncias de cada assassinato de forma individual, a SSP não quis divulgar mais detalhes. Através da assessoria, informou que, a pedido da Polícia Civil, para não atrapalhar as investigações não informariam nem mesmo quem já tinha sido preso antes - o que é comum, quando os homicídios são divulgados por eles individualmente. Na mesma nota, a SSP diz que "todos os casos estão sendo investigados pela Polícia Civil, alguns já com autoria definida". 

Conheça as vítimas e a cronologia das mortes

Retaliação
Por isso, de acordo com o titular da pasta, o secretário Maurício Barbosa, a SSP investiga se a onda de violência seria a uma retaliação pela morte de dois policiais militares - além do cabo Gonzaga, o também cabo da PM José Luiz da Hora, 51, morto na quinta-feira (7) em São João do Cabrito. Ele era pastor de uma igreja em Periperi, onde congregava há 17 anos, e não costumava andar armado.

Uma das suspeitas da SSP é de que as mortes tenham sido ação de um grupo de extermínio. Em entrevista ao CORREIO no fim da manhã desta segunda (11), Barbosa destacou que foi um fim de semana 'atípico' - especialmente por sair de uma sexta-feira (8) em que não houve nenhum assassinato para registrar 17 no dia seguinte. 

"Hoje temos uma reunião técnica para apurar a possibilidade de ação de grupos de extermínio ou possível retaliação à morte do policial, ou até mesmo ação do tráfico. Mas obviamente foi um final de semana atípico. Duas semanas atrás, tivemos um fim de semana com cinco homicídios e chamou atenção por ser logo após a morte do policial", explicou. 

Ele citou, ainda, uma "possível revolta" da tropa, diante da brutalidade com a qual o cabo Gonzaga foi morto. O PM foi torturado e teve o corpo mutilado antes de ser executado pelos criminosos. Gonzaga recebeu vários tiros na cabeça. Os autores do crime chegaram a arrancar o coração da vítima e deixaram o órgão na região do Nordeste de Amaralina, em uma localidade conhecida como Boqueirão, a mais de 1 km de onde Gonzaga foi assassinado.

"Obviamente, está todo mundo comovido pela forma como o policial foi morto e estamos buscando altivez na resposta para prender e chegar aos autores. E também (estamos buscando) ações individuais que sejam feitas como forma de acalmar esse sentimento que passa por todos os policiais, por ele ter sido brutalmente assassinado". 

O secretário destacou, no entanto, que não necessariamente esses grupos seriam formados por policiais ou apenas por policiais. "Às vezes têm pessoas com qualquer outra ocupação profissional e que se intitulam de 'justiceiros', mas a gente tenta evitar que sejam feitos esses atos". Um dos focos, agora, é identificar se esses grupos teriam feito uma ação integrada, para que todas as mortes ocorressem no mesmo período. 

O Nordeste de Amaralina, bairro onde o cabo Gonzaga morava, deve ser alvo de uma 'operação ininterrupta' a partir de agora. Barbosa reforçou que a SSP precisa dar uma resposta rápida à morte do PM. "Vamos tratar de forma prioritária, rápida. Temos ações dentro da lei. Não é como cada um fazer o que bem entende, como um faroeste. Temos que avaliar as mortes que ocorreram nesse contexto do fim de semana, fazendo com que essas pessoas paguem pelos seus crimes", completou, em entrevista coletiva, à tarde, na sede do Centro de Operações e Inteligência (COI) do órgão. 

Segundo o secretário, os suspeitos de participar e de ordenar a morte do policial - a que chamou de 'selvageria' - já foram identificados. Barbosa ainda lamentou a morte do cabo Gonzaga e disse que a PM perdeu um de seus "mais brilhantes quadros". 

Além da suspeita que o secretário chamou de "ação orquestrada" devido à morte do policial, Barbosa destacou que os números do fim de semana incluem homicídios devido à briga de facções. 

"Infelizmente, todo fim de semana, a gente encontra acerto de dívida de droga também. Estamos investigando, entre esses homicídios, até questões passionais. Teve a questão do empresário na Pituba e agora não descartamos também nenhuma possibilidade".

Um dos coordenadores do Laboratório de Estudos sobre Crime e Sociedade da Universidade Federal da Bahia (Lassos-UFBA), professor Luiz Cláudio Lourenço aponta que a questão das mortes do fim de semana é complexa, mas que é preciso analisar, por exemplo, o modus operandi. "O que pode ajudar nessa explicação é ter um trabalho de investigação, quais foram a situações, se teve semelhança no modus operandi, foi algo ocasional ou foi uma prática de grupos criminosos", disse. 

Sobre muitos dos crimes terem sido cometidos por homens encapuzados, ele destacou que é preciso cautela antes de confirmar. "Estou aqui há quase dez anos e nunca ouvi falar de desbaratar grupo de extermínio. A gente sabe que muitas mortes acontecem desse jeito, mas esta é uma hipótese que tem que ser investigada", apontou.

Mas, Lourenço destaca que a forma de encarar o combate à insegurança pelo estado não é dos melhores: "Há muita crença de que prendendo as pessoas por tráfico de drogas diminui a violência. Isso cria instabilidade nestes mercados. Morre muita gente que não tem envolvimento, morre quem tem, morre policial. A gente vem tentado apagar fogo com gasolina com esta política de encarceramento por tráfico. Não tem uma solução mágica, mas o enfrentamento militarizado do tráfico de drogas, acaba gerando mais violência", avaliou.


*Colaboraram Nilson Marinho, Bruno Wendel, Raquel Saraiva e Carol Aquino




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